Antologia da Música em Portugal

Ano: 2008

Uma edição ARTE DAS MUSAS / CESEM

Crítica:

A presente Antologia dedicada à música em Portugal na Idade Média e no Renascimento, compreendendo dois volumes e dois CDs, põe pela primeira vez à disposição uma introdução histórica actualizada sobre os primeiros séculos da actividade musical no território português, ilustrada com fotografias a cores e a preto e branco, com exemplos sonoros e com transcrições musicais.

 

A introdução, a direcção musical e a coordenação das colaborações musicológicas coube a Manuel Pedro Ferreira, especialista da Universidade Nova de Lisboa com largo currículo internacional.

 

Os discos foram gravados pelo grupo Vozes Alfonsinas, que desde 1995 se dedica, com assinalável sucesso, à recriação e divulgação da música ibérica mais antiga.

 

A antologia de música reúne 56 peças, uma variedade de repertório conhecido ou composto no território que hoje é Portugal entre o século VII e o final do reinado de D. Sebastião.

 

A secção «Monodia sacra» inclui duas peças inéditas, uma versão desconhecida e novas leituras de outras três peças.

 

Nas secções «Monodia profana medieval» e «Monodia religiosa medieval em língua vulgar» incluem-se novas leituras musicais de três cantigas e três propostas inéditas de adaptação de melodias medievais a textos cantados que nos chegaram sem música; quatro composições recebem também uma nova edição textual.

 

A inclusão, sob o título «Primeiras polifonias e polifonias simples», de peças medievais até há pouco desconhecidas ou sujeitas a interpretações equivocadas e de peças mais tardias que dificilmente se enquadram nos cânones eruditos é, em si mesma, uma novidade historiográfica, que vem na linha da recente valorização, na musicologia internacional, de modos de fazer música algo arcaicos ou informais. Esta secção inclui três peças absolutamente inéditas e três outras que apenas se encontram em publicações de circulação restrita.

 

Na secção «Canção profana (século XVI)» apresentam-se leituras por vezes distintas das que nos são oferecidas nas edições disponíveis, havendo sempre o cuidado de dispor os textos completos sob cada uma das vozes, nos casos em que a textura é polifónica.

 

Na secção «Polifonia sacra (século XVI)» incluem-se nove peças inéditas e uma que estava apenas parcialmente publicada.

 

Na secção «Música instrumental» incluem-se cinco versões ou peças inéditas provenientes da Arte novamente inventada para aprender a tanger de Gonçalo de Baena (Lisboa, German Galharde, 1540), entre as quais uma intabulação do mais célebre moteto de Pero do Porto (Escobar) e uma composição rara de Cristóbal de Morales, além de novas leituras de duas fantasias para tecla atribuídas a António Carreira, o Velho.

 

A edição, a partir dos impressos originais, das peças de Milán e Fuenllana teve em conta a possibilidade de se tocar na guitarra moderna a música aí publicada em tablatura para vihuela.